Pra não dizer que não gostei dos felinos

Estou há muito tempo pensando em voltar a escrever aqui.
Mas o caso é que sempre me dava preguiça. Não a preguiça tradicional que nos atinge quando estamos de férias, mas justamente aquela que nos atinge quando estamos totalmente sobrecarregados e que quando sobra um tempinho: pára tudo! Agora eu quero é relaxar.
E assim foi...meses e meses e meu blog aqui parado.

Mas estou retornando.....
Não conte com postagem todos os dias.....francamente: eu não tenho como fazer isso....e se alguém tem....bem eu não sei se parabenizo ou sinto pena.

O caso é que meu gato de estimação (na verdade o da minha noiva Marlova........buenas, para vocês verem quanto tempo faz que não escrevo, no post anterior fiz referência dela como namorada.....Claro que ainda é minha namorada e vai continuar sendo mesmo após casarmos, mas isso é outra estória) desencarnou hoje.

Minha noiva mora longe e consequentemente meu gato também, então faz três semanas que não o vejo e hoje, ao chegar aqui na casa dela, fico sabendo que atropelaram nosso gatinho.....que não tinha 1 ano de vida.

Buenas, essa história começa no ano passado. Estávamos na casa da Marlova quando o irmão dela, que costuma passear de bicicleta nos liga para avisar que viu um gatinho filhote miando, seguindo e chamando ele....Comovido, nos ligou e ela, fã de gatos, quis porque quis ir vê-lo.

Aquele bichinho branquinho, pequenininho, meigo e assustado....abandonado naquela avenida das atrocidades, cheias de carros circulando em alta velocidade.....Quando eu o vi, disse para a Marlova: "leva ele pra ti"....e repeti isso até que ela se convenceu de que era isso que deveria fazer.

Compramos comida para o bichinho e trouxemos ele pra casa. No dia seguinte, ele nos acordou com aquele barulho que eu chamava de chaleirinha (o romrom) e adorava ficar no nosso ombro: eu senti que ele estava nos agradecendo por havermos acolhido-o.

E ele cresceu: carinhoso, brincalhão, barulhento (com a chaleirinha) e não levou muito tempo para eu virar fã de gatos....e ele cativou até alguns amigos próximos (não muito adeptos a felinos).

O gatinho cativou tanto que quando eu e a Marlova fomos para o interior viajar e o gatinho ficou em casa, minha sogra me ligou para avisar que ele havia fugido para o vizinho dos fundos e eles não queriam liberar o gatinho (não houve confronto: apenas enrolação) pois a menina deles estava brincando encantada com o Sassafraz. Tchê, eu briguei que nem um potro......felizmente eles acabaram devolvendo o gato sem que eu precisasse dar uma de briguento ou piromaníaco.

O apego ao gato foi crescendo cada vez mais, nos fazendo companhia e sendo um grande amigo, um grande companheiro......Eu me senti feliz por havê-lo resgatado, embora tudo o que fiz foi apenas convencer a Marlova de levá-lo.

Sabem o que estou sentindo agora? Um grande, imenso vazio. Imensurável sentimento de tristeza, coração partido e......com licença, mas agora eu realmente preciso ir......não deixo meu coração aqui agora pois parte dele nem sequer está comigo.

Abraços.

Uma nostalgia do futuro

Boa tarde.
Sentado em frente ao meu laptop, enquanto meus pais estão se organizando para jantar, eu estou aqui para escrever sobre algo que eu estive pensando.
Neste último final de semana, eu e a Marlova, minha namorada, estávamos sentados no pátio de casa e, aqui em casa, tenho um labrador chocolate muito fofo de cinco anos de idade.
Estávamos a brincar com o cachorro soprando bolhas de sabão para ele correr atrás e ao mesmo tempo jogando bolinha para ele trazer de volta pra gente. Em paralelo, tomávamos um chimarrão costumeiro com erva trazida das colônias (interior barriga verde).
Quando penso nas coisas que o Luke, meu labrador, faz, eu fico impressionado. Ele parece que entende a gente mesmo não tendo obrigação de entender nosso idioma. Em muitos momentos, eu sinto que ele me entende mais do que muitas pessoas.
Quando saio de casa ao acordar (não importa se são seis da manhã quando preciso ir lecionar ou se são onze horas da manhã após uma boa noitada de tabuleiro), o Luke está preparado para me receber com muita festa (pulos em minha direção constantemente e sorrisos no rosto com vontade de brincar e de me agradar - e nem pede comida).
Quando chego de casa, também independente da hora, a festa é a mesma. Estou estacionando o carro na garagem, baixando o portão pelo controle e, ao abrir a porta do motorista, está a "fera" pronta para subir no meu colo fazendo festa.
Há alguns meses atrás, antes do pilantra do Curso Aprovação ter me passado um caô, eu trabalhava na filial de Novo Hamburgo lecionando e, em função disso, ficava apenas em NH (eu voltava para casa de 15 em 15 dias)....Fiquei muito tempo ser ver o Luke e um dia eu estava sentado no pátio e o cachorro veio e subiu no meu colo, ficando ali....(imaginem o cachorro quase do meu tamanho).
Outras coisas são mais sutis, intrísecas. Só percebe quem conhece o Luke intimamente e para entender o que é ter um labrador, não basta assistir ou ler "Marley e eu": é preciso ter um labrador. Parafraseando o educador espanhol Jorge Larrosa, é necessário vivenciar ter um labrador e não apenas ter a opinião.
Não é meu primeiro cachorro, eu já tive três antes dele. Com certeza eu terei muitos outros porque se existe algo nesse mundo que, para mim, supere cães, é apenas Deus. Eu amo muito os cachorros e vejo-os como os únicos seres vivos que atingiram e vivenciam o conceito de amor incondicional.
Esqueci de relatar que ele quer te dar beijo e pular em ti quando ele sabe que tu estás com algum problema difícil e sem dúvida me consolou inúmeras vezes (até mesmo antes de conhecer-me, pois eu soube que ele viria pra cá no mesmo dia que a primeira garota que eu realmente amei e queria construir algo, me deu o fora por um motivo que, hoje, eu julgo ser torpe).
Entretanto, hoje com quase trinta anos, calculo que o Luke não conseguirá ver (deste plano físico) meu aniversário de 40 anos. Dizem que a vida começa aos quarenta e, se isso for verdade, o Luke não vai me ver "nascendo"(a menos que eu seja abençoado em contar com sua presença física mais tempo). E penso que, salvo se eu tiver algum grave problema, vou ter a obrigação de fechar os olhos do cão futuramente.
Mas eu penso e sinto que, não importa com quantos anos eu esteja, ainda que eu viva até os setenta, oitenta, ainda que eu tenha vários outros cães depois do Luke, este é um cachorro do qual eu jamais esquecerei, vou viver todos os dias com a lembrança desse belo cachorro de sentimentos tão nobres.
Eu tratarei todos os cães com a mesma devoção que o Luke tem, sem dúvida, e diria mais: eles também me trarão nostalgias futuras, mas uma coisa é certa: o Luke será sempre e sempre o Luke. Hoje, amanhã e sempre.

Isso não é uma renúncia ao Espiritismo - parte 2

O que eu pretendo falar nesse post, além de explicar a Doutrina (que já fiz na parte 1), é a minha visão como livre pensador religioso que sou.

Me considero identificado com a Doutrina Espírita, pois sou crente em Deus (e como rejeito as teorias da aleatoriedade, deístas ou ateístas, para mim Deus é provado por indução, ferramenta muito comum da Matemática), sou reencarnacionista (como explicar de outra forma o excesso de diferenças entre as pessoas, de maneira que algumas não precisam fazer esforço e outras fazem em demasia, ou as doenças de nascimento apesar da gestação normal - nos casos que não há resposta da medicina), acredito na pluralidade das existências (quando olho para o ser humano, pelo amor de Deus, penso, tem que existir algo melhor), na mediunidade (além de mim, pessoas outras já passaram por experiências que transcedem os sentidos físicos e, ainda que isso não seja prova científica, leva-nos a crer que existe algo além do descoberto)...e quanto ao código moral, bom, nem preciso falar......

Os problemas do Espiritismo, para mim, são pequenos. Passo os olhos nos livros e vejo pouca coisa que não fecha com minha visão de coerência. Mas existe algo que me incomoda: as casas espíritas que frequentei e não foram poucas.

Eu não vou "fazer caveira" (falar de modo generalizado), mas vou falar a verdade sobre o que aconteceu comigo e deixo claro que as experiências negativas abaixo relacionadas podem não fazer parte da realidade de outras pessoas que frequentam centros espíritas e se o leitor quiser comprovar alguma coisa, eu recomendo que ele escolha um centro espírita e passe a frequentar com seriedade (e caso não goste, procure outro. Não desista em menos de cinco tentativas).

Em quase todas as casas que frequentei, os trabalhadores não me recebiam de forma decente. Não tinha uma alma viva para perguntar: "Boa noite, em que podemos ajudar?", ou "Boa noite, seja bem vindo, irmão.", ou até mesmo um simples "Boa noite" com um sorriso.....Eu ficava parado feito bocó esperando alguém me dar alguma orientação de onde devo ir e com quem falar......E quando eu perguntava algo, falavam com antipatia e nem respondiam um "Obrigado". Ao passo que quando frequento igrejas eu sou recebido como gente, acolhido como irmão, e nem preciso fingir que sou da crença deles.

Observei, nas palestras, que os frequentadores dos centros espíritas cuidam apenas de si. Escutam a palestra, oram e vão embora. Poucos cedem minutos do seu tempo para conhecer os "irmãos de fé" perdendo a oportunidade de fazer novas amizades com pessoas que vão certamente lhes compreender eis que praticam a mesma fé e acreditam em coisas que ainda não são da crença popular. Muito triste, muito triste. Aliás, os irmãos de fé andam com problemas de fé porque uma vez a palestrante pediu que levantasse a mão quem já leu o Livro dos Espíritos (livro básico da Doutirna).....levantei a mão, já o lera cinco vezes. Achei que quase todo mundo levantaria e só vejo meu braço comprido e forte estendido e solitário......snif snif.

Outra coisa que observei, mas daí num nível mais elevado, quando era trabalhador em treinamento, ou seja, fazendo os cursos: a intolerância. A mesma intolerância que eu sempre critiquei em alguns segmentos cristãos (bobagens do tipo "sem ser pela minha religião, você vai pro inferno")....Bem, não existe Espírita que acredite em inferno perpétuo (incompatível com doutrinas reencarnacionistas), mas alguns colegas criticavam outras formas de espiritualidade: templos esotéricos, culturas orientais, umbanda, terapia holística, tarô, até mesmo o cristianismo, etc. E uma intolerância acompanhada por desconhecimento, pois eu conheço vários outros segmentos religiosos e esotéricos, não-espíritas, e detectei a típica emissão de opinião sem conhecimento do assunto.

E para concluir o rol de decepções: onde está a caridade? Nenhum trabalhador se interessou em ceder cinco minutos para me ouvir e tentar me explicar as questões espirituais que carrego. Ao começar a falar, o trabalhador percebia que eu era versado na Doutrina e me interrompia dizendo: "Você é médium, tem que praticar a mediunidade, só se inscrever no curso"....(e o que eu precisava, apesar de aceitar fazer o curso com a maior boa vontade, é que alguém tentasse me elucidar as dúvidas que estavam me abatendo).

Bem, fiz 50% do curso e não aprendi muita coisa nova: basicamente eram compilações do Livro dos Espíritos. E o que mais me doeu: o discurso do curso mediúnico: "Se você é médium, é porque você fez muita bobagem na vida passada e precisa expiar-se disso trabalhando como médium"......Me pareceu o "Você precisa dar o dízimo para fazer parte do Reino de Deus" do século XXI.

Se por um lado a vida atual é consequência de anteriores, por um outro eu não vi nada disso escrito no Livro dos Médiuns (se estiver, por favor, me mostre onde)...além disso, apesar de a prática da caridade ser o caminho da salvação, a melhor forma de praticar a caridade não é trabalhar sem disposição em quatro paredes num CE (acreditando que fora um desgraçado em outra vida e precisa "pagar seus pecados aqui") ou num outro tipo de templo sagrado: mas sim trabalhar NA RUA: ajude um idoso a atravessar a rua, proteja um franzino de uma luta desigual, ensine algo para pessoas carentes, compre comida para pobres, visite presos e escute suas histórias, visite asilos e seja atencioso e paciente com os idosos, ajude os amigos a crescerem na vida, exerça sua profissão da melhor forma possível, preste socorro ao ver alguém em perigo, ceda seu lugar no ônibus para quem mais necessita, fantasie-se de Papai Noel e vá num Hospital Infantil, doe parte do seu salário para alguma obra séria, ajude alguém a deixar os vícios (cigarro, bebida, jogo de azar, sexo desenfreado), seja um bom pai ou mãe, seja um bom irmão mais velho, seja uma boa pessoa.....em suma: dê o melhor de si.....é isso que a Doutrina ensina, é isso que a Bíblia ensina, é isso que Jesus ensinou, é isso que conduz à salvação!

Analisando tudo isso, digo: não estou renunciando a Doutrina, mas estou renunciando a minha participação em Casas Espíritas....até que apareça alguma que contorne os problemas que apresentei acima, todos eles muito graves no meu modo de ver.

Isso não é uma renúncia ao Espiritismo - parte 1

Acho que é importante eu resumir a idéia da Doutrina Espírita antes de explicar meu título. Quem já conhece bem a Doutrina, pode pular essa parte lendo o post da "Parte 2"

Espiritismo, ou Doutrina Espírita, como formalmente é chamado é a Doutrina codificada pelo pedagogo e filósofo Hypolite de Leon Denizard Rivail, conhecido popularmente como Allan Kardec, em meados do século XIX. A Doutrina Espírita é composta por seis livros: "O Livro dos Espíritos" (conhecimentos básicos da Doutrina), "O Livro dos Médiuns" (como o nome sugere: estudos da mediunidade), "Céu e Inferno" (as consequências post-mortem do nosso modus vivendi), "A Gênese" (tratado sólido sobre a origem da humanidade do ponto de vista espiritual), "O evangelho segundo o Espiritismo" (o código moral Espírita-Cristão) e ainda as "Obras Póstumas" (pesquisas feitas por discípulos de Kardec). Há, também, um livro introdutório, chamado "O que é o Espiritismo?", que Kardec criou para explicar em termos bem leigos as questões da Doutrina.
Além das obras kardequianas, temos a Revista do Espiritismo, dentre outras.
O Espiritismo defende os sete princípios básicos abaixo elencados:
* A existência de Deus sendo este eterno, justo, infalível, insuperável, único e perfeito. Deus é visto pela Doutrina como a causa primária de todo o Universo (seu Criador) e, como corolário, dos Universos Paralelos.
* A imortalidade da alma e as sucessivas existências mediante a reencarnação (cabe-me mencionar que a reencarnação não é propriedade única da Doutrina tampouco criada pela mesma. A Reencarnação faz parte de muitas religiões orientais, é estudo filosófico relacionado ao sentido da vida e questões existenciais, também defendida por religiões como Umbanda, pela Teosofia, Esoterismo e alguns segmentos mais modernos do Cristianismo - saliento também que a Reencarnação era crença comum em vários povos até o século III da Era Cristã quando declarada como heresia pelo II Concílio de Constantinopla). Detalhe importante: o Espiritismo aceita a Reencarnação, mas não aceita a Metempsicose (possibilidade de "reencarnar" como animal - como aceita o hinduísmo e alguns segmentos esotéricos, por exemplo).
* A pluralidade dos mundos habitados (pelo princípio que Deus é perfeito e não criaria vários Universos permitindo que apenas um dos seus zilhões de planetas fosse habitado).
* A mediunidade.
* O Livre-Arbítrio (O Julgamento de Deus conforme as ações, o conhecimento e as oportunidades de cada pessoa).
* A evolução do Espírito (mediante as provas, expiações e atitudes tomadas ao longo das encarnações).
* O Código Moral ("Fora da caridade não há salvação" - A Doutrina só reconhece como forma de se obter a salvação, que consiste em não reencarnar mais na Terra e nem em mundos semelhantes, mas sim em mais evoluídos, apenas mediante a prática constante do bem desinteressado).

O Espiritismo é praticado em vários países, mas o Brasil é um dos países onde há mais adeptos à Doutrina. A Doutrina também é conhecida por ser a mais praticada entre as pessoas de maior instrução, dentre aquelas que não são atéias. Aliás, o percentual relativo a pessoas de nível superior na Doutrina Espírita supera o percentual relativo de qualquer outra das principais religiões praticadas no Brasil.

O Espiritismo defende a trindade: ciência, filosofia e religião.
Ciência porque procura acompanhar o progresso científico desde que este feito com seriedade e com resultados sérios, sem manipulações por interesses políticos, filosóficos ou religiosos.
Filosofia porque procura analisar e compreender as causas dos males do planeta.
Religião porque busca uma ligação com Deus, no sentido da palavra.

A Doutrina Espírita respeita a Bíblia e a considera como Livro Sagrado, entretanto não a tem como principal diretor, eis que historicamente houve muitas alterações nos Livros motivadas por problemas comuns de tradução (e falta de ferramentas como as que temos hoje) e por interesses das classes dominantes ao longo dos séculos, sem contar que a mesma fora escrita há muito tempo e os conhecimentos que se detinha naquela época eram bem diferentes dos de hoje, bem como a sua capacidade cognitiva e suas necessidades. (o ser humano, nunca em toda sua existência, busca como hoje um sentido para a vida e uma espiritualidade raciocinável).

O Espiritismo considera Jesus como o líder da humanidade, principalmente pelas suas ações morais que são inquestionavelmente conjugadas com a inspiração de Deus, desde a caridade realmente desinteressada (Jesus nunca viveu pensando em si) até mesmo o sacrifício na cruz mostrando o conceito de amor incondicional. Considera-se Jesus como um espírito perfeito e integralmente conectado com Deus, de tal modo que compreende-se quando associa-se Jesus com Deus. Há segmentos espíritas que associam a hierarquia espiritual do Universo como repartições públicas (aqui não é deboche, mas sim uma analogia com fins didáticos) e que consideram Jesus como o único ser espiritualmente perfeito deste Sistema Solar.

O Espiritismo defende que somente fazendo o bem como Jesus ensinou (teórica e praticamente) é que se alcança a salvação (ou seja, ele revoga a crença que limita a salvação unicamente por "acreditar que ele existiu") e, como consequência, uma de suas peculiaridades: a salvação pode ser destinada, inclusive, a não-espíritas (até mesmo ateus) pois já que a caridade é a lei moral mais alta, superando crenças religiosas (até a própria espírita), basta que seja exercida de forma desinteressada, altruísta e com empatia para que haja a salvação (que é a evolução espiritual para outro patamar).

Assim como existem igrejas, sinagogas, mesquistas, o Espiritismo é praticado liturgicamente em Casas ou Centros Espíritas espalhadas pelo globo. Cada casa tem suas peculiaridades, mas normalmente se pratica a oração, a leitura do evangelho espírita, a palestra baseada na leitura, um espaço para colocações por parte dos frequentadores, o passe espírita, a oração de agradecimento e encerramento, a troca de abraços e a despedida. Tudo isso costuma durar de 2 a 3 horas. Além disso, há sessões mediúnicas, tratamentos espirituais, cursos para futuros trabalhadores, grupos de estudo, multirão para prática de caridade, biblioteca, dentre outros. Os centros espíritas não cobram dízimos, taxas de ingresso, mensalidades, tampouco induzem os frequentadores a fazerem doações. Os trabalhadores doam seu tempo e não recebem qualquer pagamento, nem mesmo a passagem de ônibus. Os centros espíritas são sustentados por doações voluntárias feitas pelos trabalhadores ou por frequentadores que assim desejam. Opcionalmente, os centros podem fazer trabalhos para arrecadação como artesanato, festas, feiras, etc.

Fonte dos conhecimentos obtidos:

* Obras Básicas do Espiritismo
* Apologia Espírita. Disponível em: http://www.apologiaespirita.org (último acesso em abril/09)
* Wikipedia
* Filme documentário: Minha vida em outra vida

Mais conhecimentos em:
* Associação de Médicos Espíritas - o espiritismo e a ciência da saúde
* Revista Cristã de Espiritismo
* Federação Espírita Brasileira
* Fontes de pesquisa acima

O fumante e o não-fumante

Boa noite a todos.
Cheguei da rua com uma idéia fixa na cabeça: o ato de fumar diante de não-fumantes.
Segundo pesquisa da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (antiga FFFCMPA), o fumo passivo (ou seja, estar na presença de pessoas que estejam fumando) prejudica a saúde e trata-se de pesquisa procedente de uma instituição federal de ensino superior tem total credibilidade.
Não sou contra a proibição do cigarro assim como é a maconha, até porque essa proibição abriria mais espaço para o tráfico, problema mais sério. Entretanto, sou a favor de medidas punitivas para quem exerce o inescusável vício do cigarro em locais de passe livre de não-fumantes. Punições não apenas com multas, mas até em nível criminal eis que não deixa de se configurar como uma agressão voluntária (já que os males do fumo passivo são amplamente divulgados).
Alguns autores defendem o livre-arbítrio, inclusive sendo contra a restrição de área em bares e boates para fumantes que estejam fumando (para todos os efeitos deste post, eu deixo claro que não tenho qualquer coisa contra fumantes, desde que não fumem em minha presença). Mas essa visão é bastante limitada porque estamos violando a definição de viver livremente em sociedade (o direito de alguém termina quando viola o do outro) do cidadão. Veja bem: se permitirmos que se fume abertamente, estamos ferindo a liberdade de ir e vir de quem não fuma (que sabemos que está agindo corretamente) em troca de permitir que o fumante sacie abertamente seu vício, como já disse antes, inescusável. Entretanto, a proibição do fumo em lugares públicos não está proibindo de se exercer o vício, mas sim de exercê-lo diante de outras pessoas. É muito diferente de homicídio: eu não posso matar alguém dentro da minha casa, mesmo que não seja em público. Agora, eu posso fumar sozinho no meu quarto. Isso eu defendo, mas não só para cigarros, como também para maconha. Daí, sim, estamos defendendo a liberdade.
Aliás, não apenas reservadamente, mas em lugares fechados e próprios para quem quiser fumar. Ora, se o não-fumante quiser entrar lá dentro, daí sim é problema dele.
Acho, e que me perdoem os puristas, um grande desrespeito fumar diante de não-fumantes. O ambiente é desagradável, a respiração fica sensibilizada e, falando em sensibilidade, é uma falta dela expor seus amigos ou familiares ao fumo passivo, eis que faz mal para saúde.
Fica a reflexão sobre o tema: proibição do fumo onde houver não fumantes, salvo em locais plenamente bem identificados.

Olimpíadas no Brasil? Brincadeira né?

Muitos brasileiros estão contentes pelo fato de que as Olimpíadas
serão aqui no Brasil. Entretanto, expresso meu descontentamento com
essa decisão que reflete falta de visão.

Analisemos um pouco o país em que vivemos. Quem não tem dinheiro,
dificilmente terá acesso à saúde, educação, segurança e até mesmo
atividades de lazer, eis que essas pessoas precisam fazer jornada
tripla, ou até mesmo quádrupla, para sustento de sua família.

O dinheiro que será investido em todos os passos para a concretização
das Olimpíadas deveria ser investido em educação, segurança,
transporte ferroviário, lazer, presídios, hospitais, melhora dos
salários dos professores, pagamento integral das aposentadorias do
INSS (muitos precisam até voltar a trabalhar, mesmo em idade mais
avançada, porque recebem aposentadoria que representa parte do salário
da ativa).

Madrid foi uma das candidatas a sediar as olimpíadas. Sou espanhol
naturalizado, mas nunca morei na Espanha e meu espanhol é bastante
limitado. Entretanto, assim que eu entrar em Madrid, eu terei acesso a
saúde patrocinado pelo Governo Espanhol (e com um atendimento que não
me deixará horas em uma fila para ser atendido por misericórdia).
Madrid, que é capital de uma nação próspera, que confere aos seus
habitantes condições de vida adequadas, seria uma ótima sede olímpica.
Rio de Janeiro, Porto Alegre ou qualquer outra cidade brasileira,
atualmente, não.

Sou entusiasta do esporte: eu já pratiquei vários e ainda mantenho-me
ativo. Mas sou contra o endeusamento do esporte que faz pessoas
ficarem felizes por sermos a sede olímpica enquanto que irmãos
brasileiros estão nas filas dos hospitais públicos, ou desempregados,
ou tentando conseguir um pão para sua família. Uma pessoa me falou que
Olimpíadas aqui será bom para a imagem do Brasil no exterior. Nesse
caso, então por que não investir nas necessidades básicas que todo
cidadão tem e mostrar para o mundo que o Brasil, apesar de ser uma
nação de terceiro mundo, batalha para todos os cidadãos terem uma vida
digna? Mas não: invés disso, se investe em Olimpíadas. Pergunto: até
quando o brasileiro vai ter que ser obrigado a sacrificar suas
necessidades básicas para atender aos caprichos de uma pequena elite?

O ciclo vicioso da adoração ao dinheiro

Formalmente, preciso dizer em aula que a Matemática Financeira é o estudo da variação do dinheiro ao longo do tempo.
De fato, essa definição está correta. Entretanto, o que ela nos leva? Podemos pensar que a cada instante de tempo, o dinheiro vale cada vez menos. E isso acontece em virtude de vários motivos: inflação, excesso de dinheiro no mercado, excesso de consumo, lei da oferta e da procura, entre outros.

Podemos pensar no seguinte: todos esses fatores que fazem o dinheiro ser desvalorizado são motivados pela adoração ao próprio dinheiro e à matéria. Quer a demonstração? Vamos nós.

Imagine que o cidadão ganhe R$ 1.000,00 por mês e, com isso, consiga manter um certo equilíbrio financeiro. Agora, vamos supor que esse cidadão passe a ganhar mais dinheiro e, com isso, queira comprar e comprar mais coisas: começa a fazer financiamentos a longo prazo, crediário. Quais as consequências? Seu poder de compra aumenta, seu poder de consumo aumenta e, graças ao seu desejo insaciável, as coisas materiais passam a valer mais ainda (o vendedor é ganancioso e aumenta o preço quando tudo vai bem) e o dinheiro passa a valer cada vez menos. Resultado: o cidadão passou a ganhar mais dinheiro, mas seu dinheiro hoje não vale tanto quanto os R$ 1.000,00 de ontem.

Percebeu o resultado? Graças ao apego material do consumidor e do vendedor, as coisas e o dinheiro mudaram de valor. Se isso acontece em grande massa, tudo custará mais caro e qualquer dinheiro terá menos valor (inflação).

Veja que a desvalorização do dinheiro é causada justamente pela adoração ao dinheiro.

Qual a solução? Motivar o não-consumo. Criar alternativas de divertimento e conforto que não envolvam tanta transação financeira (principalmente a longo prazo) e criar uma educação voltada para os valores não-materiais, ou seja, morais e espirituais. Incentivar formas de viver que sejam menos consumistas e mais criativas. A médio prazo, veja o resultado:

- havendo menos consumo, as coisas passam a custar mais barato (lei da oferta e procura)
- as coisas mais baratas abrem espaço para que as pessoas dediquem-se com menos euforia ao trabalho e valorizem outros valores da vida
- as pessoas trabalhando menos abrem espaço para mais pessoas trabalharem, sem contar que alivia muito a saúde
- quanto mais pessoas com a situação financeira favorável, menos crise haverá e mais progresso uma sociedade logra

Está em nossas mãos um mundo melhor. Vamos ampliar nossos horizontes?